quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quando os monstros vivem em nós



Chega uma hora na vida de todos nós em que precisamos enfrentar nossos medos, nossas frustrações, nossos “monstros” interiores. Com uma grande sutileza e boa dose de diversão, este duro momento se apresenta ao garoto Max de uma forma fantasiosa e encantadora. Levado pela sua criativa imaginação de menino travesso, ele se depara com uma ilha deserta repleta de monstros enormes e peludos, após fugir de casa por não conseguir ser compreendido pela mãe e pela irmã mais velha. No fundo, tudo o que Max gostaria era de estar em algum lugar onde alguém gostasse dele de verdade.
No que Max logo se apressa em fazer amizade com seus novos e estranhos companheiros, é prontamente declarado Rei da Ilha pelos seus amigos imaginários e ele, agora, tem a prazerosa missão de conduzir seus súditos a travessuras e alegrias sem fim. Entretanto, Max vai percebendo que ser Rei não é fácil e ainda mais em um mundo de criaturas tão imprevisíveis e, nem sempre, tão amigáveis. Uma lição sobre amizade verdadeira, paciência e aceitação da vida como ela é.
Dirigido pelo inovador cineasta Spike Jonze (em seu currículo, o aclamado Quero ser John Malkovich) e adaptado do clássico livro infanto-juvenil de Maurice Sendak, publicado em 1963, Onde Vivem os Monstros é, nas mãos de Jonze, uma discussão sensível e um tanto depressiva sobre infância e amadurecimento. Cada criatura da ilha possui personalidade bem definida e ganham intérpretes à altura. James Gandolfini, Paul Dano, Catherine O’Hara, Forest Whitaker, Michael Berry, Chris Cooper e Lauren Ambrose emprestam suas vozes aos monstrengos amigos de Max. É mais apropriadamente um filme para adultos do que para crianças, devido ao seu conteúdo um tanto quanto denso, uma metáfora do crescimento. Mas, de qualquer forma, levando os pequenos ao cinema, ao saírem da sessão, com certeza a mensagem de carinho e afeto que os grandalhões da ilha nutrem pelo pequeno Max não passa despercebida. Encantador, de todo jeito.

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