Hoje eu não vou falar sobre cultura. Vou tocar em um assunto que é mal percebido por muitos. Eu, pelo menos, nunca vi nenhum pesquisador, sociólogo, psicólogo ou o que seja discutir sobre tal questão. Mas, é comprovado que o homem é um ser racional e injusto. Não me refiro ao lado da injustiça humana que todo mundo conhece. O lado que revela injustiças nas bandidagens da política, na falta de cuidados com a saúde pública ou eu um assassinato cometido friamente por um marginal contra um pobre pai ou mãe de família. Não vou falar sobre isso.
Eu quero me referir àquele tipo de injustiça que impera nas relações sociais entre indivíduos. Digo, para alguns o que escrevo é besteira. Mas, para mim é fato que um mundo seria muito melhor se não existissem intrigas, mentiras e as famosas fofocas que destroem boas amizades. É um mal do ser humano. Todo mundo já fez ou faz. A diferença é que são muito poucos os que se dão conta da tamanha pobreza de espírito que existe em alguém que acha normal falar mal de pessoas que, sem surpresas, podem até carregar um bem querer por tal criatura. Aí eu fico me perguntando. Qual o propósito de alguém que pode ferir sentimentos, manchar reputações ou acabar com amizades de anos? Alguns podem arriscar dizer que é coisa de inveja ou que quem faz isso não tem uma vida própria para se preocupar. Daí o tempo livre para soltar veneno. Entretanto, eu afirmo ser maldade. Um tipo discreto, mas maldade.
Acredito que errar, todo mundo erra. Que atire a primeira pedra nesta que vos escreve quem nunca errou ou magoou querendo ou sem querer um bom amigo. Mas, será este um bom motivo para se condenar alguém através de palavras torpes? Todo mundo merece uma segunda chance, a meu ver. Existem aqueles que quando erram levam a sério o mote que diz “É errando que se aprende” e passam a descobrir que uma vida pensada para ser vivida com cautela e bom senso é o verdadeiro caminho da felicidade e do equilíbrio. Outros, só levando muitas pancadas na cabeça para se endireitarem e, ainda assim, nem sempre se tornam boas pessoas. Mas, nem por isso merecem ser rechaçados pelos outros. O que quero dizer com tudo isto é fácil: as pessoas vivem para se condenarem, umas às outras. Quem erra nos dias de hoje é considerado fraco ou, por que não, mau. E, convenhamos, é facílimo apontar com o dedo sujo para quem fez errado. Não deveria ser assim. Um mundo melhor é feito, além de tudo o que conhecemos como estrutura, educação, boa distribuição de renda e etc, das boas relações amistosas que possuímos com nossos iguais. O respeito é a chave dos problemas. Sabemos que para um criminoso que erra existe punição ou, pelo menos, deveria existir justa punição. Mas, o que dizer daqueles que erram besteiras no dia-a-dia? Será que um bom castigo seria espalhar raiva ou calúnias ou seria melhor tentar entender porque o colega não fez certo e conversar? Antes de sacrificar alguém por conta de erros do passado ou do presente é bom pensar que amanhã eu posso ser condenada também pelos meus próprios deslizes. Antes de sair por aí falando mal de alguém é importante que eu saiba que, no dia seguinte, podem estar falando mal de mim mesma. Muito simples.
Depois muitos não sabem por que não fazem amigos ou porque não são bem quistos pelos mais próximos. O que ganham espalhando que fulana está gorda demais ou que sicrana cometeu tolices quando namorava o ex? Para que saber disso? Qual a importância que existe para a sociedade ou para os outros? Nenhuma. Cada um que cuide da sua vida, cada um que lute para fazer o bem e pronto, caso encerrado. Se erramos ou acertamos isso é problema nosso e a vida se encarrega de nos gratificar ou de nos dar o troco. Ao invés de proliferamos a discórdia, deveríamos dar mais atenção aos próximos, especialmente aos que se conhece. Apoio e compreensão são peças fundamentais para se viver em um planeta tão vasto e populoso como o nosso. Afinal, não estamos sós, mas em conjunto e a união é o que faz a força de fato. E que cada um tenha o direito de errar e de encontrar a trilha correta por onde seguir.
terça-feira, 27 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
O amor que transcende os tempos

O que dizer de um casal que, atualmente, nunca se doa totalmente, protagonizam brigas homéricas, não alimentam a confiança e nem a sinceridade mútua, se ofendem regularmente, não dão mais valor ao respeito e, para completar, não fazem esforço algum para se compreenderem e entender porque é tão difícil estar bem? Alguns diriam que isto é reflexo dos novos tempos que surgem, que o casamento estável mal sobrevive neste século, que as mulheres, agora independentes, não mais necessitam viver a vida inteira ao lado de um homem só e que o bom mesmo é ficar por aí com quem quiser, sem a mínima pretensão de levar a sério um relacionamento. Onde está aquela vontade de conviver harmoniosamente, de curtir as delícias de novas descobertas sexuais, de compartilhar os segredos íntimos, de trocar carinhos e elogios, de dar apoio quando necessário, de estar sempre por perto e de ser feliz com um único parceiro? Eu, particularmente, acho tudo isso lamentável. Sou à moda antiga, como dizem. Acho que a vida é plena quando encontramos uma pessoa especial que nos acompanhará como um amigo, parceiro, amante e confidente para o resto de nossas vidas. O que dizer, agora, do amor incondicional? Para muitos, isto é um conceito ultrapassado e nem existe mais. Mas, no fundo, ainda é o melhor dos sentimentos. Belo, ingênuo e que não tem medo de se atirar no que realmente acredita. Isso, sim. O amor...ah, o amor!
Penso que sejam muitas pessoas que saibam da existência e do trabalho magnífico e singelo do escritor colombiano, natural de Aracataca, Gabriel García Márquez. Autor de grandes romances e ficções, como o aclamado Cem Anos de Solidão, pelo qual levou justamente o prêmio Nobel de 1982, Gabriel possui, entre os tantos trabalhos que escreveu, um livro que trata da incomum existência do amor verdadeiro e puro. O Amor nos Tempos do Cólera foi publicado, pela primeira vez, em 1985 e conta uma belíssima história de paixão e angústias entre um triângulo amoroso. Narrado em terceira pessoa e ambientado no século XIX, no cenário tropical da América Latina, este romance tem muito a nos tocar. A emocionante trajetória amorosa de dois homens e uma mulher pode parecer algo banal para o tempo em que vivemos. Mas, ao passarmos os olhos pelas páginas da obra percebemos o quanto tudo isto é ínfimo diante do amor, repito AMOR, grandioso que existe entre os personagens. Será que, como no romance, seria possível que hoje um amor entre dois indivíduos conseguisse ultrapassar 53 anos de existência? É até difícil de imaginar.
Recentemente, esta obra foi adaptada, grandiosamente, para o cinema. Digo grandiosa porque não são todas as adaptações que chegam as telas que merecem que tiremos o nosso chapéu. Em muitos casos percebemos a distância entre os livros e os filmes. Um dos pontos que contam à favor desta última produção é que a fidelidade às linhas escritas é gigantesca. Assistindo à película sentimos a impressão de que estamos lendo o livro novamente. Filmado em Cartagena, na Colômbia, desde os cenários e a fotografia, passando pelo perfil psicológico dos personagens e pelas falas, tudo está perfeitamente bem enquadrado e no tom certo. A produtora Stone Village Pictures foi a responsável pelo filme. O produtor Scott Steindorff passou três anos tentando convencer o mestre Gabriel García a liberar os direitos autorais. Dirigido por Mike Newell, produção metade estadunidense e colombiana, com o roteiro, mais uma vez, muito bem adaptado por Ronald Harwood, O Amor nos Tempos do Cólera encanta mesmo os que nunca conheceram os escritos do autor. Pela primeira vez, um livro de Márquez foi transformado em um filme por um grande estúdio hollywoodiano. A presença de um elenco forte é mais um bom motivo para se admirar. O ilustre ator espanhol Javier Bardem, recentemente contemplado com o Oscar pela sua atuação em Onde os fracos não têm vez, encabeça um time de prestígio, onde também esta presente a renomada atriz brasileira, Fernanda Montenegro.
Para os céticos e desacreditados, conhecer as indas e vindas da vida de Florentizo Ariza, Juvenal Urbino e Fermina Daza, os protagonistas da trama, não deve representar grande coisa, além de uma história de amor impossível e só existente em dramas. Quanto a mim, tanto a obra quanto o filme, me levaram à percepção do quão vazia é uma vida sem um sentimento tão digno e sem fronteiras como o amor. Enfim, eu não sei vocês, mas, para mim, o amor é fundamental e é a melhor experiência que podemos vivenciar. Já dizia o poeta Vinícius de Moraes.
Penso que sejam muitas pessoas que saibam da existência e do trabalho magnífico e singelo do escritor colombiano, natural de Aracataca, Gabriel García Márquez. Autor de grandes romances e ficções, como o aclamado Cem Anos de Solidão, pelo qual levou justamente o prêmio Nobel de 1982, Gabriel possui, entre os tantos trabalhos que escreveu, um livro que trata da incomum existência do amor verdadeiro e puro. O Amor nos Tempos do Cólera foi publicado, pela primeira vez, em 1985 e conta uma belíssima história de paixão e angústias entre um triângulo amoroso. Narrado em terceira pessoa e ambientado no século XIX, no cenário tropical da América Latina, este romance tem muito a nos tocar. A emocionante trajetória amorosa de dois homens e uma mulher pode parecer algo banal para o tempo em que vivemos. Mas, ao passarmos os olhos pelas páginas da obra percebemos o quanto tudo isto é ínfimo diante do amor, repito AMOR, grandioso que existe entre os personagens. Será que, como no romance, seria possível que hoje um amor entre dois indivíduos conseguisse ultrapassar 53 anos de existência? É até difícil de imaginar.
Recentemente, esta obra foi adaptada, grandiosamente, para o cinema. Digo grandiosa porque não são todas as adaptações que chegam as telas que merecem que tiremos o nosso chapéu. Em muitos casos percebemos a distância entre os livros e os filmes. Um dos pontos que contam à favor desta última produção é que a fidelidade às linhas escritas é gigantesca. Assistindo à película sentimos a impressão de que estamos lendo o livro novamente. Filmado em Cartagena, na Colômbia, desde os cenários e a fotografia, passando pelo perfil psicológico dos personagens e pelas falas, tudo está perfeitamente bem enquadrado e no tom certo. A produtora Stone Village Pictures foi a responsável pelo filme. O produtor Scott Steindorff passou três anos tentando convencer o mestre Gabriel García a liberar os direitos autorais. Dirigido por Mike Newell, produção metade estadunidense e colombiana, com o roteiro, mais uma vez, muito bem adaptado por Ronald Harwood, O Amor nos Tempos do Cólera encanta mesmo os que nunca conheceram os escritos do autor. Pela primeira vez, um livro de Márquez foi transformado em um filme por um grande estúdio hollywoodiano. A presença de um elenco forte é mais um bom motivo para se admirar. O ilustre ator espanhol Javier Bardem, recentemente contemplado com o Oscar pela sua atuação em Onde os fracos não têm vez, encabeça um time de prestígio, onde também esta presente a renomada atriz brasileira, Fernanda Montenegro.
Para os céticos e desacreditados, conhecer as indas e vindas da vida de Florentizo Ariza, Juvenal Urbino e Fermina Daza, os protagonistas da trama, não deve representar grande coisa, além de uma história de amor impossível e só existente em dramas. Quanto a mim, tanto a obra quanto o filme, me levaram à percepção do quão vazia é uma vida sem um sentimento tão digno e sem fronteiras como o amor. Enfim, eu não sei vocês, mas, para mim, o amor é fundamental e é a melhor experiência que podemos vivenciar. Já dizia o poeta Vinícius de Moraes.
Foto: Giovanna Mezzogiorno (Fermina Daza) e Benjamin Bratt (Juvenal Urbino)
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Rodrigo Braga e sua natureza plena

Exposta na galeria de arte Amparo 60, a mostra de fotos intitulada “Paisagem” do artista plástico Rodrigo Braga nos revela, como em seus últimos trabalhos, uma total harmonia e criatividade surreal para tratar de temas relacionados à natureza. Mostrando um misto de paisagens, umas clicadas em Minas Gerais e outras em Glória do Goitá, na Zona da Mata, Rodrigo nos abre caminho para uma percepção diferente. Com uma mistura de realidade e discretos detalhes produzidos com a ajuda de efeitos gráficos, ele criou espaços únicos que vão de uma simples erosão de barranco repleto de frutas e legumes variados a uma imagem de uma queda d’água em que, camuflado entre as pedras, encontramos um couro de boi. Desta forma, o jovem artista, que desde a infância possui um vasto interesse por arte, faz diversas intervenções que nos mostra o quanto a fotografia digital converte a obra que está para nascer em uma constante construção de significados.
Em suas outras exposições (Fantasia de compensação, 2004; Da alegoria perecível, 2005) as imagens, muitas vezes consideradas bizarras, nos apresentam a intenção que existe por trás de tudo. Filho de pais biólogos, Rodrigo Braga é reflexo do tempo que viveu. Convivendo diariamente com pessoas ligadas constantemente ao estudo da natureza, ele já sabia que tema seria prioridade para a arte que criaria. A partir daí, os trabalhos que mesclam o contato do homem com os animais e com paisagens se tornariam a pedra fundamental e construíram a marca pessoal de Rodrigo. Assim, antes mesmo de se formar em artes plásticas em 2002, o amazonense de 32 anos, radicado em Recife, já havia descoberto as maravilhas de transformar cenários através da fotografia digital. Ele lança o que pretende comunicar ao produzir uma foto, não apenas nos mostrando uma bela selva ou um abraço caloroso em um bode (foto). O que olhamos não é, exatamente, o que vemos. É necessário captar o que o artista quis nos dizer com a performance exibida.
Este é o espírito das obras dele, que nos legam grande valor estético e simbólico. “Meus trabalhos acabam lembrando que todos nós somos animais e que isto faz parte das questões fundamentais do ser humano”, falou ele. Mas, entretanto, por possuir um teor chocante, algumas fotos nem sempre agradam a todos. Uma das mais impressionantes faz parte do catálogo da série Fantasia de compensação, de 2004, em que Rodrigo compôs a fusão de seu rosto com o de um cão Rotweiller. “Tem gente que gosta, gente que não gosta e ainda aqueles que não entendem nada. Mas, não penso no meu público quando crio”, confessou. Típica atitude de quem encontrou uma área que denota paixão e não necessidade de agradar. Prodígio da arte contemporânea de traços regionais, ele pretende passar em “Paisagem” que o homem e os animais são parte inquestionável de qualquer idéia de lugar. Sendo natural ou, até mesmo, urbano. A paisagem construída que o olhar teima em não enxergar comprova o alcance de mais uma experiência artística de Rodrigo Braga.
Em suas outras exposições (Fantasia de compensação, 2004; Da alegoria perecível, 2005) as imagens, muitas vezes consideradas bizarras, nos apresentam a intenção que existe por trás de tudo. Filho de pais biólogos, Rodrigo Braga é reflexo do tempo que viveu. Convivendo diariamente com pessoas ligadas constantemente ao estudo da natureza, ele já sabia que tema seria prioridade para a arte que criaria. A partir daí, os trabalhos que mesclam o contato do homem com os animais e com paisagens se tornariam a pedra fundamental e construíram a marca pessoal de Rodrigo. Assim, antes mesmo de se formar em artes plásticas em 2002, o amazonense de 32 anos, radicado em Recife, já havia descoberto as maravilhas de transformar cenários através da fotografia digital. Ele lança o que pretende comunicar ao produzir uma foto, não apenas nos mostrando uma bela selva ou um abraço caloroso em um bode (foto). O que olhamos não é, exatamente, o que vemos. É necessário captar o que o artista quis nos dizer com a performance exibida.
Este é o espírito das obras dele, que nos legam grande valor estético e simbólico. “Meus trabalhos acabam lembrando que todos nós somos animais e que isto faz parte das questões fundamentais do ser humano”, falou ele. Mas, entretanto, por possuir um teor chocante, algumas fotos nem sempre agradam a todos. Uma das mais impressionantes faz parte do catálogo da série Fantasia de compensação, de 2004, em que Rodrigo compôs a fusão de seu rosto com o de um cão Rotweiller. “Tem gente que gosta, gente que não gosta e ainda aqueles que não entendem nada. Mas, não penso no meu público quando crio”, confessou. Típica atitude de quem encontrou uma área que denota paixão e não necessidade de agradar. Prodígio da arte contemporânea de traços regionais, ele pretende passar em “Paisagem” que o homem e os animais são parte inquestionável de qualquer idéia de lugar. Sendo natural ou, até mesmo, urbano. A paisagem construída que o olhar teima em não enxergar comprova o alcance de mais uma experiência artística de Rodrigo Braga.
Foto: Comunhão/Fotografia/2006 - Rodrigo Braga
Vá lá conferir: Amparo 60 Galeria de Arte
Av. Domingos Ferreira, 92 A /Pina
51.011-050, Recife - PE / Tel: (81) 3325.4728
Vá lá conferir: Amparo 60 Galeria de Arte
Av. Domingos Ferreira, 92 A /Pina
51.011-050, Recife - PE / Tel: (81) 3325.4728
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Cultural, mas nem tanto
Devido ao fato de que, atualmente, as pessoas passaram a adquirir maior informação sobre artes e cultura através do uso contínuo da Internet, muitos não conhecem um dos segmentos mais prestigiados que existe no jornalismo, o chamado jornalismo cultural. Trabalhar com textos onde é constante o contato com as diversas manifestações artísticas, tais como música, cinema, artes plásticas, literatura e afins pode ser apaixonante. Por esta razão, exercer a profissão de crítico cultural em um Estado como Pernambuco dá a impressão de ser o melhor trabalho do mundo, já que esta é uma terra de forte tradição, composta de características regionais que só são encontradas aqui.
Entretanto, a imprensa de Pernambuco está fadada a ser como muitas outras do Brasil e a dar um tratamento superficial a grandes temas. Isto já é percebido por aqueles, jovens em maioria, que pregam um maior reconhecimento da cultura local pelas próprias pessoas daqui. Mas, existe um motivo para esta mudança de enfoque, por parte dos grandes veículos de comunicação. Tudo começou com o surgimento da indústria cultural, onde a crítica bem embasada escrita por intelectuais, nem sempre jornalistas, que demonstravam grande admiração e conhecimento profundo sobre estas áreas deu lugar a uma simples apreciação das obras de arte ou dos produtos culturais, com a finalidade de orientar a ação dos consumidores. Sendo assim, não é mais a literatura que se aprecia, mas o livro colocado no mercado. Na opinião do jornalista e escritor Nelson Werneck Sodré, morto em 1999, esta imprensa que surgiu foi tomada pela alienação. E uma das medidas deste distanciamento da realidade está no desprezo com que a mídia encara a cultura nacional. Portanto, se todo este processo de transformação das críticas publicadas em jornais e revistas ocorreu nacionalmente, obviamente, Pernambuco não poderia ficar de fora.
Com o objetivo de valorizar a riqueza cultural do Estado, a revista Continente Multicultural é um dos poucos veículos de destaque na região. As matérias publicadas mostram toda a diversidade nordestina, dos grandes artistas plásticos, passando pelas últimas novidades da literatura, dança, teatro, cinema e etc. “Procuramos difundir o que é criado em Pernambuco para apresentar aos pernambucanos”, explica a editora Mariana Oliveira que trabalha na revista há seis anos. Para ela, é importante que se dê atenção ao que é feito por aqui, mas sem deixar de citar o que é produzido nas grandes capitais também. Porém, mesmo sendo considerada um bom veículo que apresenta o que há de melhor em termos culturais, ela ainda não possui uma grande visibilidade. Talvez porque exista uma forte carência de revistas que tratem deste assunto. O grande problema é que o público atual não se interessa tanto em saber quais as últimas novidades que envolvem a cena cultural brasileira e, conseqüentemente, não existe mais aqueles jornalistas ou escritores de antigamente que escreviam críticas e análises que foram tão importantes para adaptar ou condenar as obras que estavam surgindo ao gosto do brasileiro. O que existe agora é um grande número de cadernos de entretenimento que nos apresentam os melhores locais para ir e os melhores produtos para comprar, mas não exibe nada que tenha uma profunda reflexão sobre o que está sendo comentado. “Para que a mídia possa voltar a falar bem de cultura é preciso que exista uma rede que movimente todas as cenas artísticas e eduque as pessoas”, concluiu Mariana.
O jornalista Luiz Joaquim, escreve sobre cinema para o jornal Folha de Pernambuco desde 2004. Como crítico, ao ser questionado sobre o descaso que o cidadão possui em relação à produção de filmes brasileiros ele dispara. “Não devo pautar minha postura como crítico ou repórter a partir das limitações do meu leitor”. Ele ainda acrescenta que não é porque os leitores são despreparados que se vai fazer um texto relapso e que é mais interessante tentar educá-lo com uma escrita fácil e que dê fluidez à leitura. O agitador Roger de Renor afirmou uma vez que a cultura do pernambucano se limita a shows e que todos sofrem uma “síndrome do palco”. Enquanto o país não se educar artisticamente para transferir estes conhecimentos à população, é bom nos acostumarmos aos shows mesmo e torcer para que esta “síndrome” seja passageira.
Entretanto, a imprensa de Pernambuco está fadada a ser como muitas outras do Brasil e a dar um tratamento superficial a grandes temas. Isto já é percebido por aqueles, jovens em maioria, que pregam um maior reconhecimento da cultura local pelas próprias pessoas daqui. Mas, existe um motivo para esta mudança de enfoque, por parte dos grandes veículos de comunicação. Tudo começou com o surgimento da indústria cultural, onde a crítica bem embasada escrita por intelectuais, nem sempre jornalistas, que demonstravam grande admiração e conhecimento profundo sobre estas áreas deu lugar a uma simples apreciação das obras de arte ou dos produtos culturais, com a finalidade de orientar a ação dos consumidores. Sendo assim, não é mais a literatura que se aprecia, mas o livro colocado no mercado. Na opinião do jornalista e escritor Nelson Werneck Sodré, morto em 1999, esta imprensa que surgiu foi tomada pela alienação. E uma das medidas deste distanciamento da realidade está no desprezo com que a mídia encara a cultura nacional. Portanto, se todo este processo de transformação das críticas publicadas em jornais e revistas ocorreu nacionalmente, obviamente, Pernambuco não poderia ficar de fora.
Com o objetivo de valorizar a riqueza cultural do Estado, a revista Continente Multicultural é um dos poucos veículos de destaque na região. As matérias publicadas mostram toda a diversidade nordestina, dos grandes artistas plásticos, passando pelas últimas novidades da literatura, dança, teatro, cinema e etc. “Procuramos difundir o que é criado em Pernambuco para apresentar aos pernambucanos”, explica a editora Mariana Oliveira que trabalha na revista há seis anos. Para ela, é importante que se dê atenção ao que é feito por aqui, mas sem deixar de citar o que é produzido nas grandes capitais também. Porém, mesmo sendo considerada um bom veículo que apresenta o que há de melhor em termos culturais, ela ainda não possui uma grande visibilidade. Talvez porque exista uma forte carência de revistas que tratem deste assunto. O grande problema é que o público atual não se interessa tanto em saber quais as últimas novidades que envolvem a cena cultural brasileira e, conseqüentemente, não existe mais aqueles jornalistas ou escritores de antigamente que escreviam críticas e análises que foram tão importantes para adaptar ou condenar as obras que estavam surgindo ao gosto do brasileiro. O que existe agora é um grande número de cadernos de entretenimento que nos apresentam os melhores locais para ir e os melhores produtos para comprar, mas não exibe nada que tenha uma profunda reflexão sobre o que está sendo comentado. “Para que a mídia possa voltar a falar bem de cultura é preciso que exista uma rede que movimente todas as cenas artísticas e eduque as pessoas”, concluiu Mariana.
O jornalista Luiz Joaquim, escreve sobre cinema para o jornal Folha de Pernambuco desde 2004. Como crítico, ao ser questionado sobre o descaso que o cidadão possui em relação à produção de filmes brasileiros ele dispara. “Não devo pautar minha postura como crítico ou repórter a partir das limitações do meu leitor”. Ele ainda acrescenta que não é porque os leitores são despreparados que se vai fazer um texto relapso e que é mais interessante tentar educá-lo com uma escrita fácil e que dê fluidez à leitura. O agitador Roger de Renor afirmou uma vez que a cultura do pernambucano se limita a shows e que todos sofrem uma “síndrome do palco”. Enquanto o país não se educar artisticamente para transferir estes conhecimentos à população, é bom nos acostumarmos aos shows mesmo e torcer para que esta “síndrome” seja passageira.
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