sexta-feira, 23 de maio de 2008

Rodrigo Braga e sua natureza plena


Exposta na galeria de arte Amparo 60, a mostra de fotos intitulada “Paisagem” do artista plástico Rodrigo Braga nos revela, como em seus últimos trabalhos, uma total harmonia e criatividade surreal para tratar de temas relacionados à natureza. Mostrando um misto de paisagens, umas clicadas em Minas Gerais e outras em Glória do Goitá, na Zona da Mata, Rodrigo nos abre caminho para uma percepção diferente. Com uma mistura de realidade e discretos detalhes produzidos com a ajuda de efeitos gráficos, ele criou espaços únicos que vão de uma simples erosão de barranco repleto de frutas e legumes variados a uma imagem de uma queda d’água em que, camuflado entre as pedras, encontramos um couro de boi. Desta forma, o jovem artista, que desde a infância possui um vasto interesse por arte, faz diversas intervenções que nos mostra o quanto a fotografia digital converte a obra que está para nascer em uma constante construção de significados.
Em suas outras exposições (Fantasia de compensação, 2004; Da alegoria perecível, 2005) as imagens, muitas vezes consideradas bizarras, nos apresentam a intenção que existe por trás de tudo. Filho de pais biólogos, Rodrigo Braga é reflexo do tempo que viveu. Convivendo diariamente com pessoas ligadas constantemente ao estudo da natureza, ele já sabia que tema seria prioridade para a arte que criaria. A partir daí, os trabalhos que mesclam o contato do homem com os animais e com paisagens se tornariam a pedra fundamental e construíram a marca pessoal de Rodrigo. Assim, antes mesmo de se formar em artes plásticas em 2002, o amazonense de 32 anos, radicado em Recife, já havia descoberto as maravilhas de transformar cenários através da fotografia digital. Ele lança o que pretende comunicar ao produzir uma foto, não apenas nos mostrando uma bela selva ou um abraço caloroso em um bode (foto). O que olhamos não é, exatamente, o que vemos. É necessário captar o que o artista quis nos dizer com a performance exibida.
Este é o espírito das obras dele, que nos legam grande valor estético e simbólico. “Meus trabalhos acabam lembrando que todos nós somos animais e que isto faz parte das questões fundamentais do ser humano”, falou ele. Mas, entretanto, por possuir um teor chocante, algumas fotos nem sempre agradam a todos. Uma das mais impressionantes faz parte do catálogo da série Fantasia de compensação, de 2004, em que Rodrigo compôs a fusão de seu rosto com o de um cão Rotweiller. “Tem gente que gosta, gente que não gosta e ainda aqueles que não entendem nada. Mas, não penso no meu público quando crio”, confessou. Típica atitude de quem encontrou uma área que denota paixão e não necessidade de agradar. Prodígio da arte contemporânea de traços regionais, ele pretende passar em “Paisagem” que o homem e os animais são parte inquestionável de qualquer idéia de lugar. Sendo natural ou, até mesmo, urbano. A paisagem construída que o olhar teima em não enxergar comprova o alcance de mais uma experiência artística de Rodrigo Braga.
Foto: Comunhão/Fotografia/2006 - Rodrigo Braga

Vá lá conferir: Amparo 60 Galeria de Arte
Av. Domingos Ferreira, 92 A /Pina
51.011-050, Recife - PE / Tel: (81) 3325.4728

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