domingo, 25 de maio de 2008

O amor que transcende os tempos


O que dizer de um casal que, atualmente, nunca se doa totalmente, protagonizam brigas homéricas, não alimentam a confiança e nem a sinceridade mútua, se ofendem regularmente, não dão mais valor ao respeito e, para completar, não fazem esforço algum para se compreenderem e entender porque é tão difícil estar bem? Alguns diriam que isto é reflexo dos novos tempos que surgem, que o casamento estável mal sobrevive neste século, que as mulheres, agora independentes, não mais necessitam viver a vida inteira ao lado de um homem só e que o bom mesmo é ficar por aí com quem quiser, sem a mínima pretensão de levar a sério um relacionamento. Onde está aquela vontade de conviver harmoniosamente, de curtir as delícias de novas descobertas sexuais, de compartilhar os segredos íntimos, de trocar carinhos e elogios, de dar apoio quando necessário, de estar sempre por perto e de ser feliz com um único parceiro? Eu, particularmente, acho tudo isso lamentável. Sou à moda antiga, como dizem. Acho que a vida é plena quando encontramos uma pessoa especial que nos acompanhará como um amigo, parceiro, amante e confidente para o resto de nossas vidas. O que dizer, agora, do amor incondicional? Para muitos, isto é um conceito ultrapassado e nem existe mais. Mas, no fundo, ainda é o melhor dos sentimentos. Belo, ingênuo e que não tem medo de se atirar no que realmente acredita. Isso, sim. O amor...ah, o amor!
Penso que sejam muitas pessoas que saibam da existência e do trabalho magnífico e singelo do escritor colombiano, natural de Aracataca, Gabriel García Márquez. Autor de grandes romances e ficções, como o aclamado Cem Anos de Solidão, pelo qual levou justamente o prêmio Nobel de 1982, Gabriel possui, entre os tantos trabalhos que escreveu, um livro que trata da incomum existência do amor verdadeiro e puro. O Amor nos Tempos do Cólera foi publicado, pela primeira vez, em 1985 e conta uma belíssima história de paixão e angústias entre um triângulo amoroso. Narrado em terceira pessoa e ambientado no século XIX, no cenário tropical da América Latina, este romance tem muito a nos tocar. A emocionante trajetória amorosa de dois homens e uma mulher pode parecer algo banal para o tempo em que vivemos. Mas, ao passarmos os olhos pelas páginas da obra percebemos o quanto tudo isto é ínfimo diante do amor, repito AMOR, grandioso que existe entre os personagens. Será que, como no romance, seria possível que hoje um amor entre dois indivíduos conseguisse ultrapassar 53 anos de existência? É até difícil de imaginar.
Recentemente, esta obra foi adaptada, grandiosamente, para o cinema. Digo grandiosa porque não são todas as adaptações que chegam as telas que merecem que tiremos o nosso chapéu. Em muitos casos percebemos a distância entre os livros e os filmes. Um dos pontos que contam à favor desta última produção é que a fidelidade às linhas escritas é gigantesca. Assistindo à película sentimos a impressão de que estamos lendo o livro novamente. Filmado em Cartagena, na Colômbia, desde os cenários e a fotografia, passando pelo perfil psicológico dos personagens e pelas falas, tudo está perfeitamente bem enquadrado e no tom certo. A produtora Stone Village Pictures foi a responsável pelo filme. O produtor Scott Steindorff passou três anos tentando convencer o mestre Gabriel García a liberar os direitos autorais. Dirigido por Mike Newell, produção metade estadunidense e colombiana, com o roteiro, mais uma vez, muito bem adaptado por Ronald Harwood, O Amor nos Tempos do Cólera encanta mesmo os que nunca conheceram os escritos do autor. Pela primeira vez, um livro de Márquez foi transformado em um filme por um grande estúdio hollywoodiano. A presença de um elenco forte é mais um bom motivo para se admirar. O ilustre ator espanhol Javier Bardem, recentemente contemplado com o Oscar pela sua atuação em Onde os fracos não têm vez, encabeça um time de prestígio, onde também esta presente a renomada atriz brasileira, Fernanda Montenegro.
Para os céticos e desacreditados, conhecer as indas e vindas da vida de Florentizo Ariza, Juvenal Urbino e Fermina Daza, os protagonistas da trama, não deve representar grande coisa, além de uma história de amor impossível e só existente em dramas. Quanto a mim, tanto a obra quanto o filme, me levaram à percepção do quão vazia é uma vida sem um sentimento tão digno e sem fronteiras como o amor. Enfim, eu não sei vocês, mas, para mim, o amor é fundamental e é a melhor experiência que podemos vivenciar. Já dizia o poeta Vinícius de Moraes.
Foto: Giovanna Mezzogiorno (Fermina Daza) e Benjamin Bratt (Juvenal Urbino)

4 comentários:

Unknown disse...

nem sempre ele transcende...

e mais um monte de "nem sempre" pra ir...

Unknown disse...

Bravo!Humanidade!...Bravo!
Bravo Venice!
Dê um presente a si!Vida e obra de Florbela Espanca e "Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor"!
Lembre-se:Existe uma diversidade de homems!Não existe o homem perfeito,mas existe o homem que sen tiu amor uma vez!Encontrem-se e sejamfelizes!Mas saibam:É preciso ciência no encontro e no saber ser feliz!Consciência!
Bravo,Venice!

Unknown disse...

O texto poderia induzir a idéias ainda mais persuasivas.Ser mais forte quanto aos tópicos frasais com característica de querer afirmar algo,teses e opiniões!

Mas Bravo com Vinícius de Moraes!

Unknown disse...

Só!Os outros elemntos estão bons!

Não conheço seus estilos(Outros gêneros t) de texto.Mas você é uma boa menina!Parece que dentro de você volve-se o talento!